
O artista que construiu uma obra habitável em Petrópolis
Aos 85 anos, Maurício de Memória reúne pintura, poesia e arquitetura em um ecossistema cultural independente e gratuito, erguido com recursos próprios ao longo de décadas
A Piccola Arena
Maurício de Memória não apenas produziu arte. Ele construiu um lugar onde ela acontece, um verdadeiro ecossistema cultural.
Aos 85 anos, o artista plástico e poeta celebra uma trajetória que ultrapassa a criação individual e se materializa já há mais de 10 anos na Piccola Arena, um complexo cultural independente e gratuito em Petrópolis (Rocio), concebido e desenvolvido ao longo de décadas como extensão de sua própria visão artística.

O espaço reúne teatro de arena circular, galerias de arte contemporânea, ateliê com centenas de obras e o bistrô Divina Sálvia, integrados à paisagem natural da região. Mais do que um centro cultural, a Piccola Arena funciona como um organismo vivo onde convivem produção artística, encontro e formação de público.

Em 2026, Maurício marca seus 85 anos com a exposição “Epifania” e o lançamento de seu primeiro livro de poesias, Letras Sobre Tela.
A publicação amplia sua linguagem para além da pintura, mantendo o mesmo eixo: memória, experiência e percepção


Sua trajetória atravessa também momentos decisivos da história brasileira. Exilado político durante a ditadura militar, viveu por duas décadas na Europa, onde aprofundou seus estudos em arte e história. De volta ao Brasil, fixou-se em Petrópolis, onde consolidou sua produção e iniciou a construção da Piccola Arena como projeto de vida.


Formado pela Escola Nacional de Belas Artes e com atuação acadêmica na UFRJ, Maurício reúne mais de quatro décadas de produção em pintura, escultura e cerâmica. Seu acervo ultrapassa quatro centenas de obras.
Além da programação artística, a Piccola Arena realiza edital bianual de ocupação, abrindo espaço para artistas e projetos independentes, fortalecendo a circulação cultural fora dos grandes centros.
Em um cenário marcado pela concentração cultural, a trajetória de Maurício de Memória aponta para uma possibilidade rara: a de transformar arte em território, permanência e comunidade.

